Banco Central do Brasil inicia cortes de taxas de juros de forma mais agressiva do que o esperado

Banco Central do Brasil cuts interest rates more aggressively than expected

SÃO PAULO, 2 de agosto (ANBLE) – O Banco Central do Brasil iniciou seu ciclo de corte de taxa de juros de forma mais agressiva do que o esperado na quarta-feira, reduzindo sua taxa de juros de referência em 50 pontos-base e sinalizando mais do mesmo nos próximos meses devido a uma perspectiva de inflação melhorada.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do banco cortou sua taxa de juros Selic para 13,25%, como apenas 10 dos 46 ANBLEs pesquisados pela ANBLE haviam antecipado. O restante esperava uma redução menor de 25 pontos-base.

O primeiro corte de taxa do Brasil em três anos ocorreu depois que os formuladores de políticas mantiveram as taxas de empréstimo estáveis desde setembro de 2022, seguindo 1.175 pontos-base de aumentos de taxa para combater a inflação, o aperto monetário mais agressivo do mundo na época.

Embora a decisão de política de quarta-feira tenha sido amplamente dividida, o comunicado de política do Copom sinalizou uma perspectiva compartilhada de manter o ritmo de cortes de taxa nos próximos meses.

“Se o cenário evoluir como esperado, os membros do Comitê antecipam de forma unânime mais reduções da mesma magnitude nas próximas reuniões”, escreveram os formuladores de políticas, chamando esse ritmo de apropriado para manter a inflação sob controle.

“A postura relativamente dovish … sugere que as preocupações dos formuladores de políticas com a inflação estão se dissipando mais rapidamente do que esperávamos”, disse William Jackson, chefe de ANBLE de mercados emergentes da Capital Economic, em nota aos clientes.

“Como resultado, agora esperamos que os cortes de taxa de juros sejam mais concentrados no início”, acrescentou, revisando sua previsão de Selic para o final do ano para 11,75%, abaixo da previsão anterior de 12,50%.

A decisão de quarta-feira refletiu uma divisão entre os membros do conselho, com cinco votos a favor do corte de 50 pontos-base e quatro votos a favor de um corte mais modesto de 25 pontos-base.

Foi a primeira reunião de política do Copom a incluir dois dos indicados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o conselho do banco central, aos quais o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, se juntou para votar a favor do corte de juros mais agressivo.

Lula criticou publicamente Campos Neto, um remanescente de seu predecessor de direita, por manter as taxas de empréstimo estáveis apesar da queda da inflação. O ministro das Finanças, Fernando Haddad, havia pedido um corte de 50 pontos-base mais cedo na quarta-feira.

Haddad posteriormente elogiou a decisão, elogiando Campos Neto por sua abertura ao diálogo e prometendo “harmonia” entre política fiscal e monetária.

O governo de esquerda de Lula amenizou as preocupações dos investidores com novas regras fiscais no Congresso e uma reforma histórica nos impostos sobre consumo. A Fitch Ratings reconheceu o progresso na agenda econômica do governo em uma decisão na semana passada de elevar o rating soberano do Brasil.

A desaceleração da atividade econômica e uma taxa de câmbio mais forte também ajudaram a reduzir a inflação ao consumidor no Brasil para 3,19% nos 12 meses até meados de julho, abaixo da meta oficial do banco central de 3,25% para este ano.

Espera-se que a inflação aumente novamente no segundo semestre do ano, devido a efeitos base menos favoráveis. O banco central atualizou sua projeção de inflação para 2023 na quarta-feira para 4,9%, de 5,0% em junho.

O Copom afirmou que os cortes de taxa são consistentes com sua estratégia de reduzir a inflação para sua meta ao longo do horizonte relevante para a política monetária, que agora inclui 2024 e 2025, em menor escala.

A meta de inflação do Brasil é de 3% para ambos os anos. Os formuladores de políticas afirmaram em seu comunicado que agora esperam que os preços ao consumidor subam 3,4% em 2024 e 3,0% em 2025.